quarta-feira, 4 de julho de 2012

" A Lagoa Verde "

Há pessoas que dizem que quanto amam alguém, tentam definir o que realmente sentem e até descrevem.
Mentira. É muito raro  alguém dizer que ama na realidade um homem/mulher.
O que se sente na verdade é uma paixão que é bem diferente de amor. O amor não se define, sente-se.
As pessoas costumam descrever este amor, dão a  explicação mais "velha" descrevem que sentem borboletas na barriga ou uma felicidade medonha. Isso é sentir-se apaixonada(o). Costuma ser uma ligeira tontura e um tremer da pernas que nos arrepia até á espinha das costas, uma doença inexplicável na língua que faz com que digamos coisas disparatadas ( claro que isto muda de rapariga para rapaz).  - Eu senti-me assim quando te vi.
O meu nome é Constança Albuquerque e esta é a minha história de amor : louca , inconsciente e desesperada de te dizer que te amo.

Desde o primeiro instante que nasci, que fui resguardada. O meu pai era uma figura muito poderosa e recta.
Ninguém ousava meter-se no caminho dele, não só por medo como também por respeito. A minha mãe, uma pessoa meiga e bondosa casara com tal homem pelo mesmo motivo que eu casei com o meu - Liberdade. Na nossa família, uma rapariga não pode ser namorada sem ter a intenção de se casar, aí, quem manda em nós é o marido e não o nosso pai. Chamo liberdade porque não estamos sobre o olhares do povo e sem o consentimento dos pais. Podemos fazer a nossa vida sem sermos chamadas de charmutas e tentar dar á luz um rapaz, para que ele não sofra o que nós mulheres sofremos.
   O meu fado não foi o pior. Casei-me com 18 anos, era muito nova, inocente e ingénua.  O rapaz que me queria namorar era de estatura média e branquinho, semelhante com a lixívia. Era uma pessoa muito doente e não tinha muito tempo de vida. Assim que me apercebi que gostava de mim decidi fazer tal e qual como a minha mãe disse « aproveita esta oportunidade minha filha, assim quando ele morrer estarás livre porque estás viúva e já podes ter ainda mais liberdade, faz um esforço ».
 Nunca mais me esqueço desta frase. Fiz tal e qual como a minha mãe me disse para fazer.
Assim casei-me e pude viver numa certa paz de espírito . A cerimónia foi linda. Foi mesmo perfeito mas o par que estava a meu lado não era aquele que queria.   Para mim foi muito difícil casar-me porque ninguém imagina o que é estar na cama, acordar de manha, olhar para o lado e vermos a pessoa que não gostamos.



Passaram-se 3 anos desde então. Quando andei na escola estudei enfermagem e por isso qualquer coisa que o meu marido precisa-se eu estava lá para ele. Durante este tempo a saúde dele melhorou ligeiramente o que fazia com que vive-se mais anos. Lá no fundo não me importava porque continuava a ter liberdade.
  Em meados  de Setembro, quando ainda fazia sol , a cidade estava cheia de turistas vindos de todos os cantos do Mundo. A nossa cidade ( Flandres) é muito rica em tecidos, especiarias e é maravilhosa. O comércio era muito abundante e a população em geral muito simpática. 
O meu marido estava no quarto a descansar e era final da tarde.  Eu estava na varanda do piso de baixo quando te vi a passar.  Eras moreno, cabelo preto, olhos azuis como a transparencia da água, alto e esbelto.
  Percebi logo que eras um turista porque homens como tu não passavam muito naquela localidade.
  Quando me apercebi que vinhas falar comigo, o meu coração parou e fiquei com o síndroma do amor á primeira vista : os meus joelhos tremiam e não conseguia pronunciar uma palavra.  Quando te chegas te perto de mim e me pedis te informações fiquei sem palavras.  O teu sotaque era irresistível !
   « Boa tarde minha senhora, pode-me dizer onde é a lagoa verde ?»
Eu respondi com algum medo :
« claro! desce por esta rua e quando vir umas árvores corta aí, á esquerda, mais um bocado adiante localiza logo a lagoa » disse eu .
  Ele agradeceu e acrescentou:
« Se não se importar pode-me acompanhar até lá, não vá eu me perder ....
  Eu respondi imediatamente que sim . O meu marido estava a dormir e eu aproveitei para pegar nas chaves e no chapéu e ir .
         

Durante a caminhada até lá eu consegui perceber que houve um click entre nós,  uma atracção, mas podia ser só minha imaginação.  Quando chegamos lá agradeces te mais uma vez e quando me ia embora seguras te me no braço e pedis te para te fazer companhia. Eu estava preocupada, não me podia demorar muito tempo mas um homem como aquele só se encontra uma vez na vida, acessível, simpático, bondoso e genuíno.  Era a minha oportunidade para conviver com outras pessoas , com homens em vez de mulheres da cidade que só sabiam coscuvilhar. Por isso disse que sim .  
Conversámos sobre tudo : a razão dele ter visitado a cidade ,uma pequena parte da vida dele e depois da minha, as aventuras deles e as minhas desventuras. Foi muito agradável mas, a noite já se punha e eu tinha que voltar para casa. Eu sei que o que eu senti por ti foi-me correspondido.
  Daí a diante soube que tu ficaras hospedado num hotel perto da lagoa verde.
Começamos a encontramo-nos ás escondidas sempre ao pé da lagoa, nem sei explicar o que foi bem isto porque foi tudo tão rápido e inesperado. Estava claramente apaixonada, agora faltava-me saber se era realmente AMOR.




Isto prolongou-se por mais 6 meses, 17 dias , 4 horas e 57 segundos.
Até que um dia , num dos nossos encontros tu não apareces te e eu fiquei muito preocupada, já estava a fazer macaquinhos na cabeça, pensando que te tinhas ido embora. E tinha razão - foste embora e nunca mais soube nada de ti  - pelo menos não ouvi falar de ti durante 1 ano.  Entretanto, o meu marido tinha piorado uma vez que não tinha dado tanto afeto e carinho como dava.
Passado esse ano, em Outubro, tu apareces te outra vez. O meu coração voltou-se a encher de esperanças. Mas o que o coração quer, a mente não quer. O meu coração dizia para ir para os teus braços e nunca mais te largar mas a minha mente tinha ainda a mágoa de me teres abandonado.
  Mas não hesitei, corri em direção a ti e abracei-te como se fosse o ultimo abraço que desse a alguém.
  Sentia-me com esperanças mas também zangada...
Perguntei-te o que se passara e tu respondes te :
- Minha querida, tenho um assunto muito sério para falar contigo,não quero que me interrompas, só que me ouças . - eu fiquei muito quietinha a ouvir-te , nunca te tinha visto tão sério - hoje á 00:00m , vem ter comigo á lagoa verde e explico-te tudo.
  Assim fizera. Fiz tudo como tu dizes te.  Estava ansiosa para saber o que tinha acontecido mas, as horas nunca mais passavam.
Quando finalmente chegou a 00:00m fui a correr para a lagoa verde, não fiz barulho a sair de casa para que o meu marido não ouvisse nada.  Quando cheguei tu não estavas lá . Enquanto esperava , olhava para aquela lago e lembrei-me exactamente como te conheci, aquele lugar era nosso e eu nunca irei esquecer dele.
  Momentos mais tarde tu chegas te e contaste me tudo :
- Constança, eu não te tenho dito toda a verdade - disses-te.
-O que se passa ? - perguntei .
- A verdade é que eu sou casado e tenho 1 filho com 18 anos. - respondeste-me tu
- O quê ? - perguntei .
- É verdade. não te contei porque sabia que com este pedacinho da minha vida, nunca te teria nos meus braços e eu gosto tanto de ti . - disses te .
- Este pedacinho da minha vida ?'' achas que ter uma mulher e um filho é pedacinho da vida ? Essa é a tua vida ! - exclamei .
      De repente houve um grande silêncio e não se ouvia nem uma libelinha no ar. Não percebi porquê que me escondes te isto e virei as costas e fui embora, mas tu agarraste-me o braço e deste-me um beijo apaixonado, um beijo que nunca tinha levado tão apaixonado como aquele.
Deixei-me levar pelo momento, afinal de contas eu amava-o!


Depois nessa noite explicaste-me tudo muito bem : a tua mulher tinha morrido e o teu filho estava entrar na faculdade. A tua esposa costumava dizer que tinha saudades de visitar flandres e como nunca tinhas ca vindo aproveitas te para visitar. Também me disses te que eu era muito parecida com a tua esposa por isso gostas te tanto de mim quando me vis te . E sabia também que nunca ninguém a ía substituir . Eu compreendi.
12 DE MARÇO

 Passados todos estes anos, não consigo tirar este dia da minha cabeça.
Tudo se passou de manhã ... Eu ía buscar pão para o pequeno almoço, há anos que não me sentia assim, tão feliz... mas não há bela sem senão.
Quando vim da loja   lá estavas tu á minha espera disses te que tinhamos de nos encontrar daí a 2 horas na lagoa verde, estavas com a mesma cara, séria e nervosa, que estavas quando me contas te a verdade.
  SEnti-me um bocadinho nervosa mas confiante. Sabia que podia confiar em ti e não ía fazer de novo macaquinhos na minha cabeça que costumava de fazer.  Daí a 2 horas fui ter contigo e lá estavas tu a andar de um lado para o outro e disses te :
- Constança, eu vou ter de me ir embora. Para além de o meu filho precisar de mim, também tenho negocios lá. Sabias desde o principio que isto era um amor impossível, mas se tu fores comigo, este amor pode-se tornar possivel. E eu gostava tanto.
  - Mas ?!
- Não digas nada, eu vou estar a tua espera ás 6 de tarde, perto da tua casa, há lá um semáfaro e tu entras para o meu carro logo que possivel , refazemos a nossa vida juntos e seremos muito felizes, nunca é tarde demais ! Se caso contrário, não quiseres entrar nmo meu carro, já sei qual foi a tua escolha. E nunca mais te chatearei. Tenho dito ! - foste embora e eu não pude dizer uma única palavra fiquei perpelexa com este teu plano tão inesperado.


Foi então que me apercebi que a minha vida se resumia numa escolha .
Ás seis horas , fui de carro com o meu marido e estava um dia muito chuvoso de repente. A cada metro que o carro avançava o meu coração batia com mais força .  Por fim chegou o tão esperado semáfaro . Quando ia a sair o meu marido sentiu-se muito mal e eu não consegui sair . Ainda esperas te mas os carros atrás apitavam . Tives te de seguir e desde daí nunca mais te vi .
Até á semana passada  , que o carteiro da terra veio entregar uma carta nunca antes chegada .




A CARTA

Foi então que na carta tudo se desenvolveu . Depois de partires sem mim, entras te numa depressão profunda e não tinhas paciencia para aturar ninguém, toda a carta era uma confissão profunda daquilo que sentias por mim e que nunca mo disses te antes , não por vergonha mas sim por medo , medo que me tivesses asustado com as palavras mais genuinas que podias usar . Na verdade não podias  usá-las como também senti- las . E isso também a mim me causou uma pequena depressão. Poque não importa qual é a cara que mostro no exterior mas sim o que sinto no interior , para quê ter um sorriso estampado com esforço na cara quando não tenho motivos para o ter, só me apetecia chorar, gritar ! Mas não podia , tinha de manter a posse que sempre tive . ...
3 Anos mais tarde soube que faleces te, foi então que um procurador , uma semana mais tarde, foi lá a casa com um testamanto, onde dizia que tudo o que tinhas deizavas para mime  para o teu filhos , 50 para 50.
Fiquei muito confusa, não me importava com a quantia que lá estava que por acaso era mesmo muitos zeros , todos á direita , mas o que que queria mesmo saber foi o que te aconteceu .
Fiquei a saber que tives te um atáque cardiaco , um problema no miocardio . Mas cá para mim tu morres te por amor , um amor que que lhe foi correspondido mas que depois lhe foi tirado ,
O que nunca soubes te é que tive uma filha de ti, só me aperebi que stava de 3 meses, quando juntei 1+1 .
Aí já havia uma explicação para todo aqueles enjoos matinais .
O meu marido morreu 5 meses depois , nunca se apercebeu que eu estava grávida , e eu soube esconder tudo muito bem , afinal sou enfermeira e sabia esconder a barriga. Foi então que 1 mês mais tarde nasceu a Esperança. Pus lhe esse nome , porque sempre pensei que houvesse esperança de te encontar outra vez e dizer te toda a verdade. Hoje tem quase 4 anos e é uma reguila ,tem muitos traços teus sem dúvida que é tua filha. Tenho uma pequena réplica tua cá em casa. Sempre lhe ensinei a ser corajosa e aventureira na vida e sem dúvida que ela é.
Tenoh muito orgulho nela , e sem dúvida que o procurador soube adivinhar o futuro porque dias mais tarde vou partir para outra terra , onde as pessoas têm mentes abertas e o nosso nível de vida vai ser melhor . A tua ajuda com o dinheiro foi maravilhoso.
E foi assim que tive de aprender a amar novamente  depois de amar te , mas gosto deste amar , porque a única pessoa que amo na verdade é a minha filha .








Texto ficticio criado por Petra Mendes
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